Governo do Brasil afirma que Castillo violou a democracia e acompanha crise do Peru ‘com preocupação’

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Presidente peruano tentou impor regime de exceção, mas não obteve sucesso, sofreu impeachment pelo Congresso e foi preso ao tentar fugir; Itamaraty desejou êxito à recém-empossada Dina Boluarte

ANDRé RIBEIRO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDOJair Bolsonaro d
Jair Bolsonaro (PL) disputou o segundo turno das eleições presidenciais contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e não se sagrou vitorioso

O governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) manifestou-se nessa quarta-feira, 7, que o ex-presidente do Peru, Pedro Castillo, violou o Estado Democrático de Direito peruano. De acordo com o governo, a tentativa de dissolver o Parlamento e decretar um regime de exceção são práticas “incompatíveis com o arcabouço normativo constitucional” do Peru. O Itamaraty também considerou o ato como uma “violação à vigência da democracia” e afirmou esperar que “a decisão constitucional do Congresso peruano represente a garantia do pleno funcionamento do Estado democrático no Peru”. A nota diz ainda que o Brasil “acompanha, com preocupação, a situação política interna” do país vizinho. Após tentar dar um golpe de Estado — termo usado pelo Legislativo e o Judiciário peruanos —, o presidente deposto foi preso em tentativa de fuga.

O Ministério das Relações Exteriores  manifestou sua “disposição de seguir mantendo as sólidas relações de amizade e cooperação que unem os dois países”. Por fim, o governo desejo êxito à presidente Dina Boluarte em sua missão como chefe do Estado peruano, já que a mesma, vice de Castilho, foi convocada a assumir o poder após a aprovação da moção de impeachment aprovada no Congresso por 101 votos positivos contra 6 contrários. Geraldo Alckmin (PSB), vice-presidente eleito, também endossou o coro democrático e afirmou aos jornalistas presentes no evento realizado na Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) que a “democracia para nós é um princípio basilar”.

Próximo a Castillo, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse que a destituição é constitucional e reconheceu a Boluarte como chefe de Estado. “Acompanhei com muita preocupação os fatos que levaram à destituição constitucional do presidente do Peru, Pedro Castillo. É sempre de se lamentar que um presidente eleito democraticamente tenha esse destino, mas entendo que tudo foi encaminhado no marco constitucional”, disse o petista. Castillo foi um dos primeiros a parabenizar Lula após o resultado das eleições no Brasil e havia sido convidado para a cerimônia de posse.



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